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domingo, 15 de janeiro de 2012

A Politização de Tudo e a Condenação Automática



Por: Eduardo Braga – Jornalista

Uma manchete chocante, informações desencontradas e toda a cidade se prepara para o apedrejamento de um médico. Este blogueiro, indignado como todo mundo, também já tinha sua pedra em mãos (clique aqui), mas, ao baixar a poeira, aguardar as investigações parece o caminho mais prudente.

A informação inicial agora parece distante de verossimilhança: O Dr. Sérgio Barbosa, diretor clínico dos dois hospitais de Chapadinha, teria cometido imperdoável erro médico ao matar acidentalmente um bebê durante o parto decepatando-lhe a cabeça. Não foi um corte no pescoço, um pedaço de gaze esquecido dentro do corpo do paciente ou qualquer outro lapso, o bebê teria sido "decaptado por acidente". Colocando-se a luta política de lado e ignorando-se a grita de pré-candidatos a vereador da oposição, não parece uma hipótese crível.

Em entrevista ao portal G1 (clique aqui), Dr. Sérgio Barbosa afirmou ter atendido a mãe já com o corpo da criança preso com as pernas fora da pélvis e a cabeça ainda dentro do útero. Diante do quadro adverso e da impossibilidade de sobrevivência do bebê, o médico teria decidido salvar a vida da mãe utilizando o método impactante.

Na matéria de Tahiane Stochero (G1), que "aparentemente" não tem qualquer interesse especial nas questões locais de Chapadinha, além da família e do médico, é ouvido um especialista no assunto, o ginecologista e obstetra José Bento de Souza. Afirma o médico que o procedimento, segundo o relato, foi correto (e aqui transcrevo ipsis litteris o trecho da matéria).

"A pedido do G1, o ginecologista e obstetra José Bento de Souza analisou o caso. Ele afirma que a primeira coisa que o médico deve tentar em casos de “cabeça derradeira”, quando a cabeça do bebê fica presa, é tentar aumentar a dilação e expelir a cabeça por baixo. Já quando o bebê está morto, como o médio Barbosa relatou que ocorreu no Maranhão, o objetivo é salvar a vida da mãe, pois, caso o parto demore, há risco de infecções ou hemorragia.


“Se o bebê está morto e a cabeça presa, existe a possibilidade de, com uso de instrumentos, esvaziar a cabeça e fazê-la sair por baixo. Mas, se ele não tinha instrumentos, a prática feita pelo médico, pelo que foi descrito, está correta, este procedimento de decepar a criança existe”, explicou Bento. “Ele fez o que podia para salvar a mãe. A família está julgando-o por ter decepado a criança, mas deviam tê-lo louvado por salvar a mulher”, afirmou."


Pelo sim, pelo não, a secretária municipal de Saúde, Dra. Maria José Coutinho, fez a sua parte. Instaurou procedimento para apurar o caso e acionou o Conselho Regional de Medicina.

Então ficamos com as seguintes questões a serem esclarecidas:

1.    O médico matou a criança decaptando-lhe ou cortou-lhe a cabeça depois de morta para salvar a mãe?
2.    O médico decidiu tentar fazer parto normal, mesmo com a criança em posição inversa, ou a criança já estava com parte do corpo para fora?
3.    O médico tentou esconder da família o que havia feito? Se sim, por que?

Fato é que uma criança morreu e tem muito mais gente interessa em fazer política em cima do seu cadáver do que consolar a família enlutada e esclarecer as circunstâncias dessas mortes.
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